Construção do Hospital Regional do Norte potencializa geração de renda à população

Texto de Thallysson Alves

O período chuvoso passou e deu espaço para a limpeza dos 8.729,63 m² de terreno que abrigará o Hospital Regional do Norte, o primeiro na Região Norte alagoana. Caminhões, usina de concreto, tratores e os primeiros 100 funcionários montam, inicialmente, o canteiro de obras, de segunda à sexta-feira. A expectativa da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) é de que mais 170 profissionais possam atuar no investimento, que além de promover mais saúde à população, também aquece a economia local.

As obras margeiam o cruzamento entre as rodovias AL-105 e AL-460. O local é de fácil deslocamento, principalmente aos moradores de Maragogi, Japaratinga, Porto de Pedras, São Miguel dos Milagres, Jundiá, Jacuípe e Matriz do Camaragibe. Quando pronto, a população contará com serviços exclusivamente disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS), entre eles: urgência e emergência para traumato-ortopedia, clínica médica, materno infantil e cirurgias de pequena e média complexidade.

Mas antes mesmo do hospital ser inaugurado, os benefícios já são sentidos na região. De frente para as obras está o escritório do advogado especialista em direito previdenciário Eduardo Henrique da Silva. Animado, ele acredita que, além da saúde e da valorização do prédio, a vinda do hospital aumenta o fluxo de pessoas no entorno. “No meu caso, irá me ajudar a conseguir mais clientes, uma vez que eu atuo com a seguridade social”, prevê.

O engenheiro civil Ivandro Barros acrescenta que a mão-de-obra local está sendo maioria nas contratações de operários. Segundo ele, através do Sistema Nacional de Emprego (Sine) de Porto Calvo, estão sendo selecionados serventes de pedreiro, pedreiros, carpinteiros, armadores, eletricistas e outros profissionais.

“Somente traremos de fora a equipe do administrativo e alguns profissionais específicos, além dos equipamentos, veículos e máquinas próprios da construtora. Alguns materiais de construção, combustíveis e mobílias também estão para ser comprados de comerciantes locais. A alimentação dos operários, por exemplo, está sendo preparada por um restaurante da cidade. Ou seja, no final todos saem ganhando”, avalia o engenheiro.

É do restaurante da empresária Valdete de Brito, de 45 anos, que saem todos os cafés da manhã, almoço e jantar dos operários. Casada, mãe de dois filhos, ela inaugurou seu primeiro estabelecimento na cidade de Jacuípe, mas, visando mais lucros, montou uma filial em Porto Calvo, e já sente o retorno econômico.

“Apesar de cedo, o movimento aumentou muito por aqui, o que eu acho ótimo para todos os comerciantes. Aqui sempre foi um local de passagem, poucos eram aqueles que trafegavam pela estrada e desciam do carro. Amanhã eu imagino que haverá muitas pessoas caminhando nas proximidades do hospital à procura de um lugar para comer e outras necessidades pessoais”, vislumbra a empresária.

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Estímulos e alívio

Casado e pai de dois filhos, o carpinteiro Ediel Trindade da Rocha, de 48 anos, estava há seis meses desempregado, se virando com os trabalhos temporários que apareciam. Natural de Porto Calvo, onde nasceu e foi criado, ele é daqueles que acredita no potencial de sua cidade e quer ajudar no desenvolvimento do município.

“Mas sempre me esbarrava na falta de vagas ou nos serviços pequenos. Até que um dia, quando trabalhava na cobertura de uma casa em Matriz de Camaragibe, eu ouvi falar que nesta obra precisaria de carpinteiro. Não pensei duas vezes e trouxe meu currículo. Mês passado, fui chamado e aqui estou”, recorda, com satisfação, Ediel.

Para o trabalhador, é estimulante saber que o Estado não está concentrado na capital, lançando oportunidades de emprego, renda e desenvolvimento a outras regiões. “Eu precisei parar de estudar na 8ª série e nunca mais voltei. Agora eu até já penso em, após o trabalho, me matricular em um supletivo e terminar o ensino médio”, disse.

Essa rotina suada está muito longe dos planos da dona de casa Vandice Cláudio da Silva, de 73 anos. Sentada em um banco na margem da foz do rio Manguaba, em Porto de Pedras, ela inspira tranquilidade, tanto pela vida bucólica, sem grandes preocupações, quanto pelo alívio de saber que em poucos meses contará com um grande hospital por perto.

“Como por aqui não temos hospital, os doentes precisam se deslocar a Maceió quando o posto de saúde não dá conta. Eu nunca precisei, nunca fiz nem cirurgia; sou hipertensa, mas tenho minha pressão arterial controlada. Porém saber que ganharemos esse hospital me dá um sentimento de segurança, pois, em uma eventual necessidade, sei que por perto encontraremos socorro”, partilhou a dona de casa.

O hospital

Quando o Hospital Regional do Norte estiver em funcionamento, a previsão é de que beneficie cerca de 166 mil alagoanos e ofereça 113 leitos, distribuídos para maternidade, pediatria, cirurgia e clínica médica. Também serão destinados leitos para Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulto, Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) neonatal e enfermaria canguru, além de serviços de nefrologia.

Fonte: Agência Alagoas

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