Imprensa Oficial Graciliano Ramos promove noite de autógrafos com Sidney Wanderley e Juarez Cavalcanti

Texto de Patrycia Monteiro

A Imprensa Oficial Graciliano Ramos está promovendo uma noite de autógrafos com Sidney Wanderley e Juarez Cavalcanti, ambos autores do livro A Feira – um dos lançamentos mais bem-sucedidos da editora este ano. O evento será realizado nesta segunda-feira (2), às 19h, no estande da Imprensa Oficial Graciliano Ramos, montado na 8ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas.

A Feira é o resultado dos diferentes pontos de vista dos dois artistas sobre a feira municipal de Viçosa, terra natal de Sidney Wanderley. A obra apresenta os principais personagens e jogos de cena do comércio popular e seu ritual típico nas manhãs de sábado do interior. Repleto de referências literárias, os textos de Sidney Wanderley partem do local para o universal, conferindo humor e reflexão ao “caos buliçoso” e à “festa dos sentidos” tão característicos das feirinhas nordestinas.

Já o olhar de Juarez Cavalcanti se despe de qualquer romantismo, revelando uma feira tal como ela é, com abatimento de galinhas, frutas pisoteadas e cachorros devorando sobras no chão. Por outro lado, utilizando o recurso do close fotográfico, Cavalcanti desconstrói imagens, revelando detalhes visuais que passam despercebidos nos artigos típicos, criando novos grafismos e texturas que podem confundir o olhar e até causar estranheza no leitor.


Segundo a antropóloga Rachel Rocha, professora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), autora da apresentação do livro, esta é uma obra literária nada óbvia. “Os livros de fotopoemas geralmente não surpreendem. Página a página, cumprem a promessa ilustrativa de redundar a palavra escrita ou, ao contrário, de legendar imagens. A Feira não. É uma obra dentro da obra. Feito a quatro mãos, o livro traz todas as impressões digitais, emocionais e intelectuais de seus autores. Para os habituados à palavra fácil, aviso: nele há muita sofisticação; para os que olham de relance, previno: apurem a vista e voltem a olhar”, descreve.

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Gertrudesteinizando o sábado,
uma feira é uma feira é uma feira.
O mais, disse-me Proust em certa tarde,
é memória, madeleine e macaxeira.

De acordo com Sidney Wanderley, há anos ele mantinha guardados os escritos que deram origem A Feira. A seu convite, Juarez começou a desenvolver um ensaio fotográfico explorando o território da cor, ao invés do habitual preto e branco. Por sua vez, as imagens produzidas e, principalmente, a convivência foram estimulando o escritor a produzir novos textos e poemas.

“Mas A Feira não é um livro de textos ilustrados por fotos nem um livro de fotografia complementado com textos. É mais apropriado dizer que se trata de um diálogo entre duas visões sobre o mesmo tema, traduzidas em diferentes linguagens, e que se mesclam numa sequência imprevisível. No prefácio, a antropóloga Rachel Rocha anota: ‘tudo aqui surge numa inusitada revelação, como se desembrulhássemos presentes pela primeira vez’”, diz Wanderley.

Em consonância, Cavalcanti explica que o livro traz fragmentos da percepção, convertidos em palavras e imagens que expressam, além da abordagem autoral, um distanciamento crítico, sem ufanismos ou romantismos. “Divertida em alguns momentos, estranha em outros, a feira captada aqui não é só a dos autores do livro. Sendo um rito tão antigo quanto universal, ela está entranhada no imaginário de todos nós”, analisa.

Sidney Wanderley é poeta e escritor, autor de Nesta calçada (1995), Desde sempre (2000), Chuva e não (2009), Dias de sim (2012) e Cidade (2014). Juarez Cavalcanti é de Maceió, e, mesmo tendo vivido muitos anos no Rio de Janeiro, sempre apontou a câmera para suas origens. Expôs em várias mostras individuais e coletivas, fez edição para livros de fotografia e tem fotos em publicações especializadas. É autor de Coruripe: árvores da Mata Atlântica (2004, editora Tempo de Imagem), com texto de Xico Sá.

Fonte: Agência Alagoas

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