Primeiro dia da Mostra Velho Chico de Cinema Ambiental lota Sala de Exibições

Texto de Deriky Pereira

Pipoca, cinema e diversão. Some esses ingredientes e obtenha o primeiro dia da 4ª Mostra Velho Chico de Cinema Ambiental. Nesta terça-feira (7), a Sala de Exibições, localizada na Praça 12 de Abril, ficou completamente lotada de crianças e adolescentes de seis escolas da cidade ribeirinha, que foram prestigiar os seis filmes e assistir ao debate feito logo em sequência.

A produtora do Circuito Penedo de Cinema, Karlinne Cordeiro, responsável por acompanhar a Mostra Velho Chico, comemora a adesão do público neste primeiro dia. “Superpositiva, principalmente das escolas – públicas, privadas e estaduais – aqui de Penedo. Também ressalto a interação com os debatedores de diversas instituições, mostrando assuntos de maneiras técnicas e acadêmicas, a presença dos realizadores que explicaram a temática dos filmes e incentivaram o pessoal ao mundo cinematográfico. Enfim, muito bom esse primeiro dia”.

Foram exibidos os filmes “Alternância”, “Amargo da Cana”, “Latossolo”, “Marias” e “O Futuro A Deus Pertence?”. Após a exibição dos filmes, um debate foi conduzido pela professora Milena Dutra, coordenadora de extensão da Unidade de Penedo da Universidade Federal de Alagoas. Segundo ela, os temas trazidos nos documentários congregam uma série de temas que poderiam ser debatidos por toda a vida.

“São temas muito importantes que remontam nossa história, trazendo isso para perto da gente, de realizar nosso cotidiano e ter qualidade de vida. Vivemos um conflito entre a expansão urbana e a necessidade de se estabelecer o rural, como as políticas públicas imperam nesses espaços públicos e a gente verifica não só na questão ambiental, mas na qualidade do homem que se estabelece nesse espaço e precisa de qualidade de vida”, disse Milena.

O professor da Unidade de Penedo da Ufal Ticiano Oliveira destacou a temática dos filmes. Ele afirmou que discutir a Bacia do São Francisco é discutir o poder da agricultura familiar e exaltou o trabalho feminino. “Eu afirmo que 95% dos empreendimentos rurais que dão certo são capitaneados por mulheres”, complementou o professor, dizendo ainda que a cultura da cana é muito presente no imaginário penedense, mesmo que não contribua tanto com a economia do Estado nos dias de hoje.

Veja também  Rede Feminina de Combate ao Câncer promove atividades de auxílio e prevenção

“E as lagoas: como está essa realidade hoje? Um mercado do agronegócio cada vez melhor, populações marginalizadas no entorno dessas regiões, mas nas cidades que têm sua dependência nesse modelo e, por fim, a Bacia do São Francisco sofrendo essas consequências socioambientais. Até que ponto dependemos desse modelo, qual o limite do nosso consumo e do rio? São essas perguntas que a gente se faz depois dessa mostra riquíssima hoje aqui em Penedo”, disse Oliveira.

Já o pesquisador da Universidade Federal do Vale São Francisco José Alves de Siqueira Filho revelou seu encantamento em ver uma plateia tão jovem e superinteressada em cinema. Filho destacou que os realizadores dos filmes estiveram antenados no que acontece no Brasil, mas que se desconhece ou conhece apenas um pouco. “E esse Brasil está aqui do lado, às margens do rio. E vocês só conseguem projetar futuro se conseguirem ter uma interpretação do passado. A gente só cuida do que conhece. E a nossa função de educador e pesquisador é levar essa mensagem. O futuro não é daqui a 10 anos, o futuro é agora”, declarou.

Ainda durante o debate, um dos realizadores dos filmes exibidos nesta terça-feira, Kennel Rogis, incentivou os adolescentes a produzirem cinema. “A gente pode fazer nossos filmes, passar nossas imagens. Se você tem algo a dizer, pode pegar uma câmera, um gravador e botar na tela. E quem sabe vocês não estarão aqui com seus filmes sendo exibidos na tela? Eu quero ver isso. Ninguém melhor que vocês para falar da realidade que vivem”, afirmou Rogis.

Realização

O Circuito Penedo de Cinema acontece até o dia  11 de novembro em Penedo e é realizado pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Cultura de Alagoas (Secult), e pelo Instituto de Estudos Culturais, Políticos e Sociais do Homem Contemporâneo (IECPS), com patrocínio do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) e da Prefeitura de Penedo.

Fonte: Agência Alagoas

Compartilhe: