Samu atende mais de mil vítimas de surtos psiquiátricos em Alagoas

Texto de João Victor Barroso

O que podemos fazer quando nos deparamos com uma situação onde uma pessoa, com algum tipo de transtorno mental grave, está passando por um momento de crise, colocando a própria vida ou a vida de outros em risco? A explicação para esses casos vem do supervisor do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Dárbio Alvim.

“Dependendo da gravidade do paciente, o Samu envia uma ambulância para que seja feita a contenção dessa pessoa. Posteriormente, ela é encaminhada para o Hospital Escola Portugal Ramalho, no caso de Maceió, ou para o Instituto Teodora Albuquerque, em Arapiraca, onde são atendidos os casos de urgência psiquiátrica”, explicou.

Dárbio Alvim, também salientou que existe a possibilidade de fazer o encaminhamento, nas duas cidades, para os Centros de Atenção Psicossocial (Caps). Essa “rotina” de ligações, para o número 192, é feita constantemente pela aposentada Marli dos Santos, 69 anos, por causa da nora, Nancy Alves, 48 nos, que sofre de esquizofrenia, e de tempos em tempos precisa ser internada no Hospital Escola Portugal Ramalho.

“Depois que o primeiro filho dela nasceu, há 23 anos, ela desenvolveu um quadro de esquizofrenia, porque antes disso minha nora era forte e cheia de vida. A Nancy já foi internada 69 vezes no Portugal Ramalho e, mesmo tomando os medicamentos de forma correta, às vezes ela entra em uma crise muito forte, fica agressiva, violenta e ninguém consegue acalmar. Quando isso acontece, precisamos acionar o Samu e sempre que solicitamos uma ambulância, a equipe não mede esforços para nos ajudar”, relatou, ao recordar que, o último internamento de Nancy aconteceu no dia 28 de setembro deste ano.

Procedimentos do Atendimento – Todos os atendimentos de pacientes psiquiátricos são feitos acompanhados de viaturas da Polícia Militar. Elas devem ser solicitadas tanto pelos familiares, como pelas equipes do Samu.

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“Essa é uma medida protetiva, quando o paciente está muito agressivo, podendo estar armado, colocando em risco a própria e vida e a dos outros. O apoio policial acontece para garantir a proteção tanto da equipe médica, quanto do paciente e das pessoas que estiverem no entorno”, explica Luiz Antônio Mansur, diretor clínico de atendimento do Samu Maceió.

Desde o início do ano, o Samu Alagoas já realizou 1.050 atendimentos psiquiátricos, sendo 641 pela Central Maceió e 409 através da Central Arapiraca. Os principais casos são de esquizofrenia, distúrbios psicóticos, dependência química e tentativa de suicídio.

Segundo a médica reguladora, Martha Valente, o veículo utilizado para fazer o transporte de pacientes psiquiátricos são as Unidades de Suporte Básico (USB), com a equipe formada por um condutor socorrista e técnicos de enfermagem. “Na hora em que precisamos deslocar essas pessoas que estão em crise, agitados, agressivos ou violentos, pedimos ajuda dos familiares para fazer a contenção do paciente e colocá-lo na maca, onde fazemos uma amarração com ataduras, material utilizado para não machucá-lo”, afirmou a médica.

Em algumas situações, onde não é possível fazer essa contenção, devido ao estado agitado ou agressivo da pessoa, é necessário o envio de uma Unidade de Suporte Avançado (USA) para que a equipe – composta por médico, enfermeiro, técnico de enfermagem e o condutor socorrista – possa fazer a aplicação de uma medicação neuroléptica, onde o paciente fica mais calmo, para poder fazer o transporte.

Durante o atendimento telefônico, quando o médico regulador é informado que a pessoa está em crise, mas não está pondo ninguém em risco, o profissional do Samu orienta ao solicitante que tente administrar a medicação tomada diariamente pelo paciente, para, quando ele estiver mais calmo, procurar o médico que realiza o acompanhamento clínico ou procurar algum Caps.

Fonte: Agência Alagoas
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