Semas comemora inserção da população de rua no programa habitacional

O Serviço de Acolhimento para Jovens e Adultos em Situação de Rua, conhecido como Albergue Municipal, faz um trabalho de reinserção social para os usuários que vivem em situação de rua na capital. A unidade é um equipamento social da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) que funciona 24 horas para atender quase 60 usuários diariamente.

A coordenadora do Serviço de Acolhimento para Jovens e Adultos em Situação de Rua, assistente social Jeane Cavalcante, diz que o processo de inclusão social nas políticas municipais, entre elas a habitacional, das pessoas que vivem nas ruas de Maceió é complexo, mas ganhou consistência na gestão do prefeito Rui Palmeira.

Jeane explica que a pessoa em situação de rua perde as principais referências sociais, como a família, por exemplo. Entra em um processo de depressão e começa a usar drogas, como o álcool e o crack, para satisfazer necessidades como o afeto ou adquirir confiança em si mesma e nos outros.

“O nosso trabalho começa quando a equipe da Abordagem Social traz para a unidade o usuário que vive nas ruas. Ao chegar aqui, 80% deles não têm os documentos pessoais, muitos são usuários de drogas lícitas como o álcool ou ilícitas como o crack e daqui eles são encaminhados para o processo de redução de danos”, explica a coordenadora. A redução de danos consiste, muitas vezes, no acompanhamento do usuário por profissionais da área de saúde para controlar o uso abusivo do álcool e do crack, que é feito pelo Centro de Atenção Psicossocial (CAPS Álcool e Drogas).

No Serviço de Acolhimento para Jovens e Adultos em Situação de Rua, o usuário é recebido por uma assistente social que conduz a chamada escuta. O processo inicia com uma entrevista na qual se faz o levantamento do perfil social. Em seguida, aqueles que não possuem nenhuma documentação são encaminhados para a Defensoria Pública Estadual que auxilia na retirada dos documentos pessoais.

Com os documentos é possível encaminhar o usuário para a inscrição no Cadastro Único, requisito para a inclusão deles em programas sociais como o Bolsa Família ou em outros benefícios como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e a inserção na política municipal de habitação.

O trabalho dos técnicos não para por aí. O acompanhamento dos usuários e de suas famílias continua com as equipes multiprofissionais dos Centros de Referência da Assistência Social (Cras) e os Centros de Referência Especializado da Assistência Social (Creas). Além disso, as famílias são orientadas a participar de projetos de geração de renda através do estímulo ao empreendedorismo e a qualificação profissional.

A Secretária de Assistência Social de Maceió, Celiany Rocha, destaca que o resgate do projeto de vida das pessoas em situação de rua passa por diversos serviços e que atualmente a Prefeitura de Maceió comemora a inserção de 44 usuários no programa habitacional. “Eles receberam casas nos residenciais Rio Novo, Caetés e Morada do Planalto. “São pessoas que viviam em situação de rua, sem nenhum acesso aos direitos sociais e hoje eles se tornaram cidadãos de direitos com a conquista da casa própria. Nosso papel é resgatar o projeto de vida deles de forma consistente, para que não retornem as ruas posteriormente”, diz a gestora.

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A secretária destaca que o número de usuários em situação de rua com acesso à casa própria vai ser ampliado até o final do ano, já que haverá a entrega de novos empreendimentos habitacionais como o Residencial Jorge Quintella, localizado no Benedito Bentes, com 816 unidades habitacionais. Há ainda o Residencial Maceió, localizado no Eustáquio Gomes, com 3.900 moradias.

A usuária do Serviço de Acolhimento em Situação de Rua, Cristina Andrade dos Santos, 45 anos, aguarda ansiosa pelo sorteio do Residencial Jorge Quintella para realizar o sonho da casa própria. Cristina passou por todo o processo descrito na reportagem e espera conquistar um lar para morar com a filha mais nova de 19 anos. Pela situação de saúde na qual se encontra, impedida de exercer um ofício, ela se enquadrou nos requisitos para receber o BPC.

“Passei por momentos muito difíceis na vida. Fui dona de boate e perdi tudo. Entrei em depressão e tive vergonha de ficar com a minha família. Vim de Sergipe para Maceió. Quando cheguei aqui comecei a trabalhar como catadora de material reciclável. Passei a abusar do uso de drogas como o álcool e o crack. Até que fui encaminhada pelo Consultório de Rua para o CAPS AD e de lá para o Albergue. Aqui minha vida mudou porque tive a chance de resgatar minha autoestima. De 2008 pra cá tive algumas recaídas, mas estou vivendo com a esperança de mudar de vida e viver com a minha filha mais nova na nossa casa”, diz Cristina.

Com a entrega de três empreendimentos habitacionais, a Prefeitura de Maceió já incluiu 5.076 famílias na política municipal de habitação. Até o fim do ano outras 4.716 moradias serão entregues. Uma dessas residências pode ser a de Cristina e de outras pessoas que vivem em situação de rua na capital. Elas terão a oportunidade de mudar de vida e viver com a família num lar.

Cícero Rogério/Ascom Semas

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