Semas discute cidadania LGBT com ativistas e profissionais

Ativistas do movimento LGBT e profissionais da Secretaria Municipal de Assistência Social de Maceió (Semas) participaram nesta terça-feira (10) da primeira edição do Projeto “Dois Terços de Prosa: Construindo e Desconstruindo Conceitos e Refazendo Caminhos”. A ação foi desenvolvida pela Diretoria de Promoção dos Direitos Humanos, por meio da Coordenação da Diversidade Sexual e do Conselho Municipal dos Direitos e Cidadania LGBTI+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais, Intersex e Queer).

O coordenador da Diversidade Sexual da Semas, José Roberto da Silva Júnior, abriu os diálogos ao falar dos objetivos do projeto, que é o de levar informações para qualificar o atendimento nos equipamentos sociais da Semas em relação à população LGBTI+ que é usuária dos serviços socioassistenciais. “É importante dialogar com os profissionais da Semas que atendem aos usuários para que o acolhimento às pessoas LGBTI+ seja feito de forma inclusiva, para que haja o respeito às diversas identidades de gênero”, diz José Roberto.

O presidente do Conselho de Direitos da Cidadania LGBT, Jadson Andrade, diz que é muito importante dialogar com profissionais da área do serviço social, da psicologia e da educação para que eles compreendam como é a construção das identidades de gênero e possam respeitar as pessoas LGBTI+ que procuram os serviços socioassistenciais. “O Conselho Municipal atua em diversos espaços para promover os direitos e a cidadania das pessoas LGBTI+. Independente do sexo biológico, as diversas identidades de gênero são construções socioculturais que precisam ser respeitadas para que as pessoas sejam aceitas e respeitadas em sua integralidade”, diz Jadson.

A assistente social Maria das Neves trabalha no Centro de Referência Especializado da Assistência Social (Creas) Poço. Para a profissional, participar da formação é muito importante porque as pessoas LGBTI+, como todos os outros usuários, devem ser atendidas com todo o respeito e com isenção de preconceitos. “Esses momentos de diálogos dos ativistas com os profissionais possibilitam a qualificação da nossa atuação profissional. Nós já lidamos nos Creas com pessoas que tiveram os direitos violados e não podemos agir com preconceito já que essa atitude gera mais violação de direitos. Por isso é importante respeitar todas as identidades de gênero”, diz a assistente social.

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Uma das ativistas que participaram do evento foi a artista visual Lilian Barbosa, que falou sobre a experiência dela como uma pessoa do gênero não-binário, ou seja, Lilian não se identifica 100% nem com o feminino e nem com o masculino.

“Fui taxada de louca, recebi vários diagnósticos equivocados de médicos, psiquiatras e psicólogos. Desenvolvi alguns transtornos e problemas de saúde por conta do preconceito e da falta de informação sobre a minha identidade de gênero. Eu tive que me descobrir e me construir em termos subjetivos e foi através da arte e de pesquisas que eu mesma desenvolvi sobre as identidades de gênero que eu consegui saber quem eu sou. A arte me salvou. Foi a arte que me fez descobrir minha subjetividade e criatividade para continuar viva”, diz Lilian.

Nem todas as pessoas LGBTs passam por essa experiência vivenciada por Lilian e conseguem superar os preconceitos e as negações socioculturais. Há muitos jovens que por conta da não-aceitação de sua respectiva identidade de gênero pela família e por outras instituições sociais como escolas e igrejas cometem suicídio. Por isso, os organizadores do Projeto “Dois Terços de Prosa” defendem o diálogo, o repasse de informações e a educação como caminhos para combater o preconceito e a LGBTIFobia.

Cícero Rogério/Ascom Semas

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